Ô, mas que bosta não conseguir escrever. Pensei então em começar a praticar isso, ao estilo puramente Lispector - fluxo de pensamento. E então percebi, cara, preciso mesmo disso. Horas a fio, dias, a vida inteira. Como, COMO conseguir vomitar palavras mágicas aqui, diferentes, inéditas, surpreendentes, como fazer alguém pensar "Puta que pariu, é mesmo... vou mudar." se simplesmente não consigo pensar em nada que não tenha você ali, existindo?
Lembrei-me até do filme, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Sabe, você seria o duende, em todas as minhas fotos. Eu me lembro de quando queria sumir da face da Terra... pois é, faltavam naves espaciais pra Saturno, e eu me conformava com um mês no Tibet. De preferência em algum lugar não gravado no mapa, sem serviço postal ou onda de rádio. E se, ainda assim, eu teimosamente tirasse uma foto do lugar exato onde Judas perdeu as botas, um observador atento veria você lá, paradinho junto às botas. Sorrindo essa alma linda sua.
Não, não. Eu poderia mudar radicalmente a tática, partir pra ignorância. Apanhar um livro de exercícios de Matemática qualquer e curtir um masoquismo ferrenho, fritando meus miolos e, talvez, pusesse assim meus sentimentos pra dormir. Ainda assim, creia, caso conseguisse o milagre de chegar à resposta, somaria os número finais e diria "Oh! Deu 7! A sétima letra do alfabeto é a mesma terceira letra no nome do seu cachorrinho." E se errasse a resposta e chegasse a qualquer outro número, com certeza haveria lá alguma relação.
Ok, não desista agora. Faça uma aula de yoga, garota. Medite ao estilo da sabedoria milenar, não haverá falha dessa vez. Então, eu passo quase uma hora inteira ao som de mantras, inspirando alongamentos e expirando tensões, sentindo ondas de energia coloridas vindas do infinito da Natureza pra me alegrar. Flutuo. E eis que, a cinco minutos do fim da aula, a professora diz "Agora mentalize o lugar do mundo onde você mais gostaria de estar e relaxe."
Que dúvida, amor meu... eu dou um jeito, eu corro, descabelo, me teletransporto, arranjo patins! Mas, juro, faço de tudo pra estar no seu abraço.
Quarta-feira, 14 de Fevereiro de 2007
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