Anna inspirou longamente, com força. Comandava o ar para dentro de si, como se das flores bebesse néctar. Estava sedenta.
Virou o copo de martíni, decidida. Deixou-o vazio sobre a mesa e pagou a conta.
- Fique com o troco.
Apesar da luz rara e viciada, viu sua imagem no espelho. Nunca gostou de se analisar e julgar de modo algum. Talvez tivesse medo de ofender alguém, ou de se reconhecer. Modéstia ou castração? Encarou-se por bons minutos eternos, contornando seus próprios traços. Encontrou-se bonita como uma fera presa em ingrata jaula. Linda e opaca melancólica.
Abriu a porta. Andou até a outra ponta do bar, debruçando-se sobre uma mesa onde ele a esperava.
- Eu não amo você.
Ele engasgou. Ela foi embora, antes de ouvir qualquer coisa. Soltou os cabelos.
Mais tarde, ainda naquela madrugada, ela passou em casa, pegou umas roupas, o dinheiro e escova de dentes. Antes de tomar o ônibus, deixou um beijo sincero para a família.
Foi buscar seu coração. Batia fora do peito, há tempo demais.
Sábado, 24 de Março de 2007
Um comentário:
gosteii hein...
um dia antes do meu niver haha
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