terça-feira, maio 13

Noite no bar

Anna inspirou longamente, com força. Comandava o ar para dentro de si, como se das flores bebesse néctar. Estava sedenta.
Virou o copo de martíni, decidida. Deixou-o vazio sobre a mesa e pagou a conta.
- Fique com o troco.
Apesar da luz rara e viciada, viu sua imagem no espelho. Nunca gostou de se analisar e julgar de modo algum. Talvez tivesse medo de ofender alguém, ou de se reconhecer. Modéstia ou castração? Encarou-se por bons minutos eternos, contornando seus próprios traços. Encontrou-se bonita como uma fera presa em ingrata jaula. Linda e opaca melancólica.

Abriu a porta. Andou até a outra ponta do bar, debruçando-se sobre uma mesa onde ele a esperava.
- Eu não amo você.

Ele engasgou. Ela foi embora, antes de ouvir qualquer coisa. Soltou os cabelos.

Mais tarde, ainda naquela madrugada, ela passou em casa, pegou umas roupas, o dinheiro e escova de dentes. Antes de tomar o ônibus, deixou um beijo sincero para a família.

Foi buscar seu coração. Batia fora do peito, há tempo demais.


Sábado, 24 de Março de 2007

Um comentário:

Unknown disse...

gosteii hein...
um dia antes do meu niver haha