terça-feira, maio 13

Cinco segundos agora

Escrever pra ver dançar
ferozes as palavras velozes
enquanto desprendem da mente pra essa tela brilhante

Implacáveis em danças exóticas,
com sedas e cheirando a ópio
odaliscas no meu harém, Escravas:
vão dançar até que a noite acabe
até que a sede acabe
até que a morte se acabe.

Por luxúria ou amor, vulgar, à contravenção!

Essa noite quero que dancem
nessa sua essência única a razão de existir;
Vou cuspir
cada uma como se fosse a última
e elas serão o que quiser.

Escrevo danças mil fingimentos meus
É riscar um fósforo e ver a chama brincar no ar.
Laranja e vermelho
deslizando e lambendo
agonizando em luta inútil
até se deixar consumir.
Ardem e deixo arder,
até restarem só brasas.

Uma metáfora pra vida inteira em cinco segundos,

Supernova

Como palavras concubinas
Dance pra mim
e seus gemidos serão uma canção
até que me apaixone por toda essa submissão
até que me canse e termine o texto.

Começar tudo de novo e de novo e de novo,

Supernova

Riscar mais um fósforo
A chama vai se consumir do mesmo jeito,
e a dança não é igual. O combustível não é igual.

Arder mais e mais e sempre diferente.

Acumular essas cinzas
até que surja - por acaso ou nem tanto
uma flor aqui dentro.


Sexta-feira, 27 de Abril de 2007

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