Escrever pra ver dançar
ferozes as palavras velozes
enquanto desprendem da mente pra essa tela brilhante
Implacáveis em danças exóticas,
com sedas e cheirando a ópio
odaliscas no meu harém, Escravas:
vão dançar até que a noite acabe
até que a sede acabe
até que a morte se acabe.
Por luxúria ou amor, vulgar, à contravenção!
Essa noite quero que dancem
nessa sua essência única a razão de existir;
Vou cuspir
cada uma como se fosse a última
e elas serão o que quiser.
Escrevo danças mil fingimentos meus
É riscar um fósforo e ver a chama brincar no ar.
Laranja e vermelho
deslizando e lambendo
agonizando em luta inútil
até se deixar consumir.
Ardem e deixo arder,
até restarem só brasas.
Uma metáfora pra vida inteira em cinco segundos,
Supernova
Como palavras concubinas
Dance pra mim
e seus gemidos serão uma canção
até que me apaixone por toda essa submissão
até que me canse e termine o texto.
Começar tudo de novo e de novo e de novo,
Supernova
Riscar mais um fósforo
A chama vai se consumir do mesmo jeito,
e a dança não é igual. O combustível não é igual.
Arder mais e mais e sempre diferente.
Acumular essas cinzas
até que surja - por acaso ou nem tanto
uma flor aqui dentro.
Sexta-feira, 27 de Abril de 2007
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