O ritmo viciado embala as vidas dentro do vagão, existindo para lá e para cá.
A paisagem converte-se em passado, as ruínas de fábricas decadentes envoltas pelo capim descuidado. Cai a noite, a escuridão acompanha muda o ruído dos trilhos.
A garoa fria chora sobre a janela imunda - o reflexo das gotas se confundiria em lágrimas não fosse o rímel escorrido, pesado desenho tingido num olhar tão distante.
Deus é um gato engalfinhado com seu novelo de lã, para lá e para cá; o coração vacila dentro do trem. As estações passam - mais perto de casa, mais longe de casa.
E a saudade é uma garota brincando de queimar poemas com um isqueiro barato. As lembranças ficam como cinzas ardidas flutuando nos suspiros do vento, minha sentença.
Segunda-feira, 23 de Abril de 2007
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