Garota sentada sozinha ouve música
como quem se afoga pedindo
gritos mais altos que meus pensamentos, que meus sentimentos!
Garota mergulhando sozinha na contradição
seguindo a intuição que quer ter ou precisa acreditar que tem,
escrevendo verdades como se fosse lirismo.
Como se alguém escutasse, como se alguém entendesse...
como se não estivesse sozinha nem precisasse explicar nada a ninguém.
E não fosse por um segundo
insegura
não precisasse da mão estendida dizendo
'está tudo bem.'
Se não tivesse errado e errado de novo e de novo
e não tivesse cicatrizes de horrores invisíveis...
se cada traço bonito do seu rosto não fosse hipocrisia.
Tragam a verdade em fervura e engulam-na passivos:
cometem-se os próprios pecados,
distorcem-se as próprias sombras no chão!
Quando nem todo vício é cocaína,
nem todo suidício é faca
de dois gumes.
Nem toda beleza é bonita.
Mas o sorriso é real,
prometo-vos.
que nem toda promessa
é verdade!
Mas amanhã sempre amanhece, sempre lembra quando nunca é nada.
Não é isso também poesia?
E ela acreditava.
Segunda-feira, 30 de Abril de 2007
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