Queria um poema sem temas
tão em si mesmo enroscado, intrínseco e introspectivo
que mantivesse refém seu próprio mistério
queria uma visão
criança na praia, construindo seu castelinho de areia
salas e corredores ocultos e sinuosos
um fosso
e na torre mais alta, você
O mar viria espumando, abocanhando e engolindo tudo, o mundo
só para depois cuspir
e lamber o destino mastigado de todas as coisas para suas águas profundas.
Você vai deixar-se soterrar pelas areias molhadas do castelo que foi
ou deixar-se tragar pelas incertezas do será eterno?
E pode ser que caia um raio e você vire vidro
mas não peça por platéia
nem espere reluzir como diamante
Por que deveria ter forma, afinal?
E trancafiar em moldes imperfeitos o que em espírito era livre?
Às vezes, antes de dormir, eu acredito no amor
nesses dias quentes, que dão vontade de morrer e o vento sopra;
os grãos de poeira dançam.
Por que morrer, se podemos dançar?
Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2007
Um comentário:
"E trancafiar em moldes imperfeitos o que em espírito era livre?"
nossa q perfeito cara, acho q até agora uq eu mais gostei...
haha será q tem faculdade pra ser crítico???
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