sexta-feira, maio 16

Temática

Queria um poema sem temas
tão em si mesmo enroscado, intrínseco e introspectivo
que mantivesse refém seu próprio mistério

queria uma visão
criança na praia, construindo seu castelinho de areia
salas e corredores ocultos e sinuosos
um fosso
e na torre mais alta, você

O mar viria espumando, abocanhando e engolindo tudo, o mundo
só para depois cuspir
e lamber o destino mastigado de todas as coisas para suas águas profundas.

Você vai deixar-se soterrar pelas areias molhadas do castelo que foi
ou deixar-se tragar pelas incertezas do será eterno?

E pode ser que caia um raio e você vire vidro
mas não peça por platéia
nem espere reluzir como diamante

Por que deveria ter forma, afinal?
E trancafiar em moldes imperfeitos o que em espírito era livre?

Às vezes, antes de dormir, eu acredito no amor
nesses dias quentes, que dão vontade de morrer e o vento sopra;
os grãos de poeira dançam.

Por que morrer, se podemos dançar?


Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2007

Um comentário:

Unknown disse...

"E trancafiar em moldes imperfeitos o que em espírito era livre?"

nossa q perfeito cara, acho q até agora uq eu mais gostei...

haha será q tem faculdade pra ser crítico???