Tu mudastes, eu procurei fingir que era a mesma.
Escondi-me na leviana alegria
sôfrega conquista
quis nós dois aqui, enrolados nessa teia fria
- para cada riso desses escondo do mundo uma lágrima minha!
E mantenho a hipócrita pose forte
sustentada nas etéreas exigências vorazes do movimento:
translação, rotação.
Renovação implacável e impecável e imutável!
O redondo mundo em círculos sobre si mesmo,
satélite do mesmo sol.
E eu astronauta menina
escrevo linhas para a mesma lua de todos os que por uma noite ou sonho distante
ah! ousaram amar e ser poetas.
Mas o amor que era só nosso saiu de órbita.
E eu
Eu riscava os céus traçando rotas imaginárias
enquanto vinha o crepúsculo -
a realidade nos desembarcava em estações tão diferentes...
Eu mudei aqui embaixo do fingimento
e se grito teu nome por pura teimosia
ou talvez até heresia!
é porque sei
meus ventos cá não são os mesmos que aí acariciam teus cabelos
e os carinhos sobre meu corpo são tampouco das mãos tuas...
E ainda bebemos do mesmo conhaque
cada qual em seu copo
e dormimos sob esse céu estrelado
cada qual com um novo amante debaixo do lençol.
Hoje triste sombra minha
somos cauda de cometa, aquelas madrugadas-passado.
E sei tão bem
- em vão tentarei te esquecer, por décadas e anos-luz.
Saibas que és lindo, saibas que te amo.
Tu mudastes, eu não finjo ser a mesma.
Esses nós... descansem em paz.
Quinta-feira, 10 de Maio de 2007
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