Lá vai ele pelas ruas, os caracóis na cabeça e o sorriso no peito. Respira fundo o ar da cidade inteira, expira e esquenta a noite. Sai dançando e flutuando e pulando, saltita e cada vez que alcança o céu, acende uma estrela. O pozinho iluminado gruda em seus dedos, enluvando o moço tão galante, e ele vai passando as mãos nas paredes das casas, desenhando histórias de amor para as menininhas que suspiram nas janelas, recheando o ar com ilusões docinhas, docinhas. E o vento leva pra longe a canção desse meu moço, dessa voz de violino subaquático, boto cor-de-rosa. Melodia cravada nos corações, como o cravo na camisa dele, que tem o jardim do mundo inteiro e o perfume de todas as flores, exalando as cores de sol e lua dessa pele morena que só ele tem.
- O mar está chamando, me espera meu amor, só mais um tiquinho, que contigo logo estou!
Sangue maluco apostando corrida nas veias apressadas, os passos dele são assim leves e velozes, toda noite, toda noite vão cantando às galáxias todas o amor de uma menina só. E lá está ela, deitada na areia dourada conversando com o mar, contando segredos românticos e sonhos loucos, do anjo encantador de estrelas que vem de tão longe só pra fazê-la em seus caracóis ninar.
Segunda-feira, 9 de Julho de 2007
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