terça-feira, maio 13

De propósito

A chuva bate violenta na janela. Há tempos, as gotas ligeiras contra o metal frio faziam dormir, faziam sonhar. Era a natureza murmurando sua presença em meio ao artificial.
Essa noite não se pode pregar os olhos, já ardidos. A lágrima salgada arde, espelho tão cristalino dessa alma, batendo violenta na janela. O corpo dói, fazendo-se revirar de um lado para o outro na cama, até os lençóis esquentarem. Amassados e finos, macios e frágeis.
O calor do corpo os esquenta, ilude. Não há consolo, não há porto nem colo. Ninguém revira-se até esquentar o coração.
A chuva não pára de cair, parece. Tudo é sensação, suposição, idéia. Refúgio. Afinal, para isso lá estão os lençóis, tão finos. Para isso não estão os pés no chão - o real é áspero demais. Mesmo para quem está cansado, mais uma derrota seria peso demais.
Parar de rolar nesse colchão, em vão. O artificial em meio ao natural é algo que não a essência.
A chuva vai parar, essas nuvens dissiparão.
Mas é preciso que se dê ao Sol algo a secar.
... mais um sorriso não seria demais.


Sexta-feira, 16 de Março de 2007

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