Eu sempre achei que a cintura era uma fechadura secreta; assim meu corpo todo saberia o amor quando viesse o abraço certo. E já estive em muitos abraços certos, dos braços errados. Não vejo mais a certeza em nada.
Essa noite, não dormi. Debruçada na janela, eu contava as luzes dos postes, traçando caminhos vindos de longe desses incertos olhos castanhos, trazendo o perfume doce da grama no seu cabelo. Olha pro céu e segue as nuvens, meu anjo, que meus suspiros riscaram todo o firmamento até aqui. Eu vou rabiscar frases loucas nos muros pra você não se perder, à la folie, à la folie, tomei café demais e você me tira o sono, fecho os olhos ouvindo aquela canção, abro-os sem ouvir sua voz. No teto desse quarto imenso eu conto os segundos e desenho danças no ar, estou tão viva e o mundo é tão pequeno. Sou muito errada, honey? Ah, eu gosto tanto das suas cicatrizes e tenho esse medo ciumento dos seus cortes... mas essas suas mãos tão bonitas, vem cá, me abraça bem forte se eu pular? Meu coração é todo dúvidas ritmado por você, meu sonho louco.
A gente sente o mundo girar rápido nas veias quando está flutuando... é que eu descobri que viver um segundo é morrer o outro; a vida é uma paixão desvairada.
Segunda-feira, 10 de Setembro de 2007
Um comentário:
adorei esse, sabe, pude até ouvir os acordes, acho q com um refrão daria um bela música...
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