O sol rastejava preguiçoso janela adentro, formando frestinhas de luz que lambiam pedaços do quarto escuro, afastando os fantasmas presentes até então.
Os floquinhos de nuvens no céu azul flutuavam lentamente, conduzidas somente por leves brisas, e vez ou outra passavam pelo dourado do sol, fazendo iluminada sombra.
No quarto, o pó esvoaçante passeando pelos poucos raios presentes.
Um corpo deitado, longos cabelos esparramados no chão. O busto forrado de pele de seda arfava suave pela respiração.
O olhar perdido, tentando ver a vida passando através das cortinas da janela.
Era tudo tão estático... mas havia algo flamejante, uma faísca que não se podia negar.
Era tudo tão estático, mas dentro da prisão havia um espírito livre viajando dentro de uma mente que se negava a calar!
Quão dinâmico pode ser o todo estático?
No parapeito da janela, um pássaro vermelho pacientemente esperava, cantando seu canto maravilhosamente melódico e melancólico.
Flamejava.
Nenhum comentário:
Postar um comentário