Qual o sentido da vida?
Ela realmente não sabia. Estava estendida em sua cama, na escuridão. Tão sozinha quanto podia e queria estar.
Se alguém perguntasse, não saberia dizer. Mas sabia em algum lugar dentro de si que sentia a verdade. Sentia e por isso não precisava de definições algemando e amargando todo o doce que um sonho pode ter.
Ela fechava os olhos para voltar no tempo e sentir de novo toda aquela liberdade, mesmo sem precisar; toda a sua mente e coração já estavam livres.
Liberdade suficiente para se sentir sozinha flutuando quando ao seu redor havia quase 80 mil pessoas.
E tudo o que importava era fechar os olhos e sentir a energia...
Então, ela chorou. Talvez fosse o mais puro estado de felicidade em que já esteve - já tinha seus motivos e sua inspiração. E eram tão reais quanto mágica abstrata pode ser!
Porque apesar de viver num mundo onde a loucura já parecia ter se instalado para ficar, algumas coisas ainda faziam sentido por dentro. Como aquelas quatro pessoas em perfeita harmonia usando de todas as suas forças numa simples tentativa de lembrar a raça humana de que um dia ainda fomos bons.
Tão bons e doces e simples como toda criança nasceu um dia... Aquelas que as quatro criaturas tentavam despertar dentro de cada um naquele estádio.
Foi então que ela sorriu. Sem saber como, sabia ao menos o que procurar.
E naquele instante tudo o que queria fazer era dizer:
- Obrigada.
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