sexta-feira, abril 18

21.12.2005 (Sonho)

Duas da manhã, e a cidadã mal podia pregar os olhos. Ok, talvez eles estivessem fechados pelo cansaço, mas a mente continuava a mil.
O quarto estava escuro, no prédio só o som pesado da respiração de quem dorme.

- Olha que pôr-do-sol mais lindo... será que é o último?
[a paisagem: a varanda de madeira de um hotel à beira mar]
- Todos podem ser os últimos.
[a cidadã assusta-se; a voz era de um amigo que, após observar tudo calado, decidira se manifestar]
- Realmente, com o mundo do jeito que anda!
- Ora! Você nunca consegue se despreocupar?
- Você também não.
- De vez em quando, você sabe! Que tipo de pessoa seria eu?
- Meu amigo!
[eles riem por um tempo; ele pára e fica pensativo]
- Amigo...
- Você tem dúvidas?
- Queria ter!

A partir daí a cidadã, ainda em sua cama, sorri. E lembra-se ainda que sua realidade não passava de uma conversa online com o amigo. E que o amigo não tinha dúvidas. Tinha? Ah! Ainda sorrindo, ela volta às suas imaginações...
Imaginações não. Ela já dormiu. Sorrindo. Nos seus sonhos o sol se punha lindo, e ela não respondia à pergunta...

[a cidadã abaixa a cabeça; ele vira seu rosto devagar e com os dedos fecha seus olhos; e então, um beijo]
- ...
- Não foi o último pôr-do-sol, né?
- Ah! Não, eu acho que não.

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