Poderia mesmo mergulhar em pensamentos, encharcar de sensações os olhos, fazer correr cores etéreas nas veias?
Cobrir de beleza plástica, tão material quanto acredita a razão, uma alma?
Ah! Por campos paralelos ecoam vozes distantes, e de algum modo, retumbam intensas no coração.
Desconhecidas vozes então num episódio, em outro já foram irmãs.
Surreal déjà-vu de uma realidade frágil e relativa, assim senti sua voz.
E meus pensamentos desconexos escondem em sua aparência deliciosos segredos vividos em sonhos doces.
Fronteiras são imaginárias, todas elas. Fecho os olhos para ver, e então as vozes desconhecidas sussuram chamados irresistíveis.
Abro-os, e o medo volta. E se...?
E então, há o Abismo. Mas vejo, logo além, meus campos etéreos. Jogo-me, ou volto minha vontade para a segurança de tudo que já conheci?
Não.
Minha vontade já não é minha do modo como pensava ser... Atiro-me.
Encarreguem-se os ventos de soprar como deve ser.
A loucura não é minha do modo como pensam ser.
Sem ela, sou oca.
Sem ela, enlouqueço.
Pois há de ser loucura não arriscar, resistir.
Há muito do desconhecido, sentimentos do não saber.
De onde venho, para onde vou, o mistério me faz companhia.
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