Havia toda aquela atmosfera ébria. Algumas poucas nuvens de seda deixavam transparecer o prateado luar, enquanto os ventos e brisas dormiam e milhões de damas-da-noite teciam sutil e afrodisíaco perfume.
E havia dois filhos da noite, e nada mais. Caça e caçador.
O pincel que deslizava suave e calmo, torneando curvas de beleza azul e misteriosa. A imaculada fidelidade das mãos ao que seus estranhos doces olhos de águia capturavam a comovia.
Ela simplesmente existia, deixando que seus lábios fossem assim púrpura e sua pele assim veludo. Mas não conseguia evitar que seus olhos castanhos fossem apenas pedra. Escorria quente e silenciosa, uma lágrima.
Ele impetuosamente, pintando a fazia existir. Em seu quadro frio aquele rosto não chorava, mas havia ainda o azul por todo ele, que mesmo querendo não podia esconder.
A tensão era tanta que mal se podia respirar. Aquele ar sensual era tão pesado ao coração! Como se uma faísca qualquer pudesse mesmo provocar uma explosão.
E por detrás das máscaras, já não era possível distinguir quem caçava quem. Nem mesmo se aquela lágrima no rosto dela caía dos olhos dele.
Eram dois perdidos em sua própria teia de mentiras, de buscas e ilusões. Ela sabia o que buscava mas nunca se encontrava. Ele encontrava sem saber o que buscava.
E havia então, a batalha final entre o Silêncio, que de tudo sabia, em tudo mandava, e nada poderia nunca falar, e que aquela Lágrima que caía levava toda a verdade consigo... cabendo somente a eles, dois amigos, descobrir se primeiro se rasga o véu do Silêncio ou secam os ventos a Lágrima.
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