segunda-feira, abril 13

Sapato amarelo

Eu não me tenho. Meus textos fogem a mim como minha própria vida foge a mim.
É domingo, e domingos são dias de memórias. Neles há espaço tanto para que se construa uma lembrança bonita como para que simplesmente se possa respirar, esparramada no chão da sala na companhia de uma caixinha de cartas.

E me perturba, me perturba encontrar os corações que roubei naquela caixinha!
É como encontrar minhas digitais na cena de crimes que não cometi. Já fui o sonho de consumo de alguém. Já tive quem suspirasse por mim e quisesse ser meu cinema às quartas-feiras e meu cobertor aos domingos.

Mas começo a desconfiar que eu sou uma noite de sábado. Feita de risos leves e dum ritmo frenético difíceis de acompanhar. Sou impulsos inconsequentes e encantadores e sou as tardes de domingo, pensando nos cinemas de quartas-feiras que tive e não quis pra mim.

Eu sou a máscara usando calça jeans e cabelo preso que esconde tudo isso assim como sou quem escreve essas linhas tortas, sem máscara nenhuma.
E fico, esperando que consiga escapar por alguma brecha no destino que me permita não ser eu mesma o peso em mim!
E passo minhas madrugadas em cafeína e auto-análise, sabendo que não há pra mim herói algum em um cavalo branco.

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