segunda-feira, novembro 17

Incendeia

procuro na palma das mãos de alma simples
na pele surrada de tambores
no som surdo certeiro profundo
a lembrança do que me trouxe até aqui

meu bem, esse lugar onde estou
eles chamam raízes
eu chamo correntes
o segredo do cadeado sou eu
o segredo do cadeado sou eu

não renego o batuque das cores do carnaval
mas não sei sambar

meu grito recai sobre as coisas que não sou
mas elas sobram
e falta o que sou

sobram palavras
falta meu sossego

eu tenho todas as cores do mundo
e minhas mãos pra sujar
tenho uma tela bem rabiscada
e nada do que tenho pode dizer do que sou

tenho um título! e não sei escrever o poema...

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