Estava se aperfeiçoando no grande lance, os pequenos feitos que secretamente pervertiam a monótona ordem social.Poderia ser um sábado em branco na agenda, sem nada que se registrasse do estômago. Acordar lenta e preguiçosamente, prender os cabelos num coque malfeito, sem ao menos penteá-los. Vestir a mesma calça jeans, abotoar a velha camisa xadrez e calçar os chinelos. O cursinho. As badaladas do sino da igrejinha ao meio dia. O intervalo.
Sem dizer palavra, dobrar o quarteirão. Subir a longa escadaria, acertar o negócio. Despir a camisa xadrez. "Eu sou mais velha do que ele."
- Qual seu nome?
- Mariana.
- Então, Mariane, relaxa.
Sem dizer palavra, voltar. Sentar em frente ao computador e procurar uma imagem qualquer que descreva a dor. Aguda, persistente, irritante. Tinha um jenesequá de sensual, mas parecia um sexo ruim. O próprio pensamento, ao se voltar a ela, ressentia-se. Fazia biquinho, marejava os olhos e pedia colo. Mas engolia, arrastava as lágrimas de volta para o estômago num soluço. E o sal se juntava às borboletas mortas que, tristemente, queriam sair dali. Subiam quentes e ácidas, mas voltavam, obedientes. Maior, um general delinquente assistia a tudo. Tristeza, borboletas, sexo e dor. E, enquanto fingia perversamente editar uma foto de Bresson, deleitava-se com seu pequeno segredo e o protegia como se uma nação fosse.
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