segunda-feira, setembro 21

[...]

Amanhecera chovendo.
Mesmo muito antes do horário habitual de acordar, já tinha os olhos abertos. Não sentia sono; o corpo estendido e aquecido pelo cobertor repousava tranquilo.
Ainda assim, não conseguira levantar.
Esperou inerte até que a hora de trabalhar se aproximasse perigosamente. Sem se apressar, tomou banho, se vestiu e maquiou e, com dignidade, se atrasou.
Continuava chovendo.
Qualquer e quanto melhor fosse seu disfarce, pior. Era uma aberração, na verdade. Andava por aí - tal qual um programóide - bonita, sobriamente vestida e em charmosos sapatos que faziam bolhas malditas nos pés.
Passou a encarar como um esporte.
Sorria e tratava todos muito bem, indiscriminadamente. Sentia um profundo nojo - asco! - de seu trabalho. Do cliente. Do chefe. Da obediência. Do correto. Do sistema. Dos comunistinhas de merda que criticavam o sistema. Reparava nos tiques das pessoas e,...
e tomava um gole d'água.

"Pois sim, posso ajudar?"

- Wow, Brian! Did you see that?! Life gives another certain shot by kicking Mind right-in-the-fa-ce and strikes Heart, the poor little bastard!
- Guess this is not a surprise, Joe.
- Indeed, Brian!
- That must hurt.


E era terrivelmente infeliz.

Chegou a comemorar quando a febre lhe atacou a parte de trás dos joelhos e pediu de volta o cobertor.

"Hoje eu vou ser forte o suficiente pra ser fraca."

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