terça-feira, setembro 22

Bandeirada

Era uma vez um porquinho-da-índia
pulando as cinzas do carnaval
da vida inteira de Pierrot

Coachavam os sapos-boi
e também os que não lavam o pé:
- Porquinho, queres um pouco da paixão
dos suicidas mortos sem explicação?

E respondia o porquinho, com ares de lagarta listrada:
- Choro, ai de mim!
Eu que ontem tomava alegria... hoje!
Hoje eu cheiro cocaína.


Porquinho indiano, tísico e arlequinado
erraste o caminho pra Pasárgada
e a brisa nordestina da rima.
Mas com meu perdão te pergunto
queres ser cinza, confete e serpentina
para o meu estúpido coração de Colombina?


E Manuel foi meu primeiro namorado.

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