sexta-feira, setembro 25

Curso de jornalismo, a saga: trancos e barrancos

No dia 18 de setembro de 2009 - uma sexta-feira que poderia muito bem ser 13 - a Comissão de Especialistas em Jornalismo apresentou ao ministro da Educação, Fernando Haddad, uma proposta para novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Jornalismo.
Pois bem, apresentado o lide acima, talvez possa a estudante de jornalismo que escreve a você, leitor, partir para algum comentário mais gonzo. Por que gonzo? Explico: os parágrafos que seguem serão descaradamente amargurados.
A atual grade curricular foi formulada em 1980. Desde então, caíram o Muro de Berlim, as torres gêmeas do World Trade Center e a obrigatoriedade no diploma de jornalismo.
Não discuto aqui os dispensáveis comentários que o caro ministro Gilmar Mendes proferiu na ocasião da desobrigação do diploma. Fato é que, dramaticamente ou não, o que caiu foi uma lei da época da ditadura que tinha por sombrios fins garantir uma reserva de mercado.
Discutível – e talvez “xingável” - é o abandono que acomete a profissão. Nada regulamenta o ofício e, mais que isso, a ética no exercício jornalístico.
Acrescentar 400 horas/aula à grade curricular por meio do estágio supervisionado obrigatório me parece bom. Reforçar a prática, atentando para as mudanças no mercado de trabalho e para as convergências tecnológicas. Desvincular o jornalismo das asas dos cursos de Comunicação Social. Encorpar a identidade do curso. Tudo me parece bom e necessário.
“O importante é tornar o curso atrativo”, afirmou o presidente da comissão, José Marques de Melo.
Atrativo para os novos ingressantes, só posso crer. Pois os pegos de surpresa bem no meio do caminho, como eu, não serão afetados pelas reformas.
Parece um tipo de prova de fogo: o mercado e o curso estão mudando e os estudantes que iniciaram sua jornada a partir de 2009 se formarão assim, confusos, garantindo um diploma e um conteúdo curricular já melancólicos como fantasmas.
A motivação talvez seja romântica. Não ser o poeta de um mundo caduco, não ser o jornalista de um curso caduco. Mas existe. E, também romanticamente acredito, os que ainda assim se formarem e trabalharem em busca da não-regulamentada ética, trarão de volta o lendário tesão pelo jornalismo. Quando às mudanças... Bem, já é hora de fazer direito.

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