domingo, julho 5
Carta
Eu não posso deixar você ir embora. Eu sei. É a dinâmica da vida, o tal do movimento. As pessoas passam umas pelas outras, fazem o que quer que deve ser feito nas suas existências e então se vão. Seja num trem, seja na morte. Eu não sei bem se há reencontros. Vida após a morte. Mas o que é morrer?! Eu mesma já morri tantas vezes... Bem ou mal ainda estou aqui. Como um vaso ruim que não quebra ou uma delicada taça de cristal arranhada. Mas não você. Fica. Talvez existam outros caras. Talvez eles não deixem a tampa da privada levantada, talvez eles tenham carros incríveis, talvez falem alemão. Mas eu não me importo! Mais do que acreditar em alma gêmea, acho que é preciso vontade de ser a de alguém. Pode ser que nós estejamos errados e briguemos aos domingos. Mas não estamos debaixo da ponte, não temos porque brigar 'se tanta gente vive sem ter como viver'. Né? Você vai estar na minha poesia e eu na sua. Os filmes e as músicas roubaram tantas das minhas falas, veja bem. Eu estou tão frustrada por ter todas essas cenas palpitando aqui dentro e procurar as suas cores em todos os rostos que vejo! São nossos os melhores beijos na chuva e todas aquelas músicas dos Beatles. Tá entendendo? Só é uma pena a gente não ter se conhecido enquanto dava tempo de ser adolescente e fazer sexo ouvindo Nirvana. Eu não sei seu nome, mas desenhei a nossa história nos muros dessa cidade toda. O seu coração bate no mesmo ritmo delas, presta atenção. Vem cá e deixa seu endereço. Eu preciso te mandar essa carta...
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3 comentários:
A declaração perdida ao anônimo perfeito. Dentro da epifania de sensações, e da ótima citação de Nirvana, faz o maior (e único) sentido.
Se as lembranças fossem retratos, seu álbum precisaria apenas de um punhado de rostos.
Keep writing guria.
Mas que texto dinânmico e bom! Hehe
Gostei. =)
É aqui que eu coloco meu endereço? ;)
Brinks
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