“Você está fazendo merda, cuspindo no prato em que comeu – e ainda está comendo – e contando que o ovo – que ainda está no cu da galinha – é um ovo de ouro”.
- Belo resumo, dona Marianarina, disso aí que você acha que é um pensamento.
- Ok. E quem é você?
- O amiguinho imaginário.
- Mas hein?
- É. Você não vive falando de mim pra todo mundo? Pois então.
Marianarina fita a tela do computador longamente antes de responder.
- Como você é bonito...
O amiguinho fica emocionado.
- Obrigado por finalmente ter me deixado existir.
- Você precisa de um nome.
- É Senhor Sucrilhos.
- Eu já usei esse nome antes!
- Então deixa Señor Sucrillos, por enquanto.
- Tá.
- Realmente acho. Só é uma pena que eu não ganhe dinheiro com você, Señor Sucrillos.
- Fica tranquila, garota. Sempre levei uma fé que você tinha jeito pra cafetina.
- Isso é uma oferta?
- Sim.
E foi assim que nasceu o meu primeiro gigolô intelectual, outrora conhecido como Señor Sucrillos, o amiguinho imaginário. Outro inacreditável dia.
- Hey!
- O que é, Sucrillos?
- Pare de escrever esses parágrafos descritivos enquanto eu estou falando.
Ele era um tanto quanto...
- Sério.
- Ok.
- Não, sério. Você já é bem grandinha pra fazer isso e eu...
Señor Sucrillos é como a heroína: as pessoas acham que podem se livrar dele quando bem entenderem, mas o...
- Você tem que primeiro entender antes de tentar se livrar.
- Ahn. Ok, só esclarecendo: eu, cafetina, você, gigolô.
- Corretíssimo. Mas quem é você quando eu sou eu?
- Tománocu, Sucrillos!
- Isso, fina! Eu vou embora e você vai ficar aí com o seu follow up, tá legal, jornalista?
- Alguém tem que pagar o leite das crianças.
- Clichezinho fraco, isso de capitalismo.
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