segunda-feira, junho 8

Trapaça

A PRIMEIRA VEZ que eu percebi
foi quando eu reclamei (claro!) sobre algo como
"Vi um féladaputa chutando um cachorrinho hoje"
e você riu.
Aquele riso besta, de quando não se sabe o que falar.

Você acha mínimo?
Mas eu nunca erro, meu bem.

Esse um desacerto mínimo de sintonia
foi se transformando num ruído grande
tão grande e perturbador!
foi ferindo ouvidos e orgulhos
até que a vontade de mudar de estação
inevitavelmente
chegou.

Eu quase disse "a vontade de desligar o rádio chegou"
mas isso não seria verdade, não é mesmo?

E vem cá.
Você espera algo de mim porque sou eu
ou porque se acostumou com a love story que dois escritores resolveram um dia inventar?



Você e eu somos espertos.

Eu olhei o seu caderno (e você olhou o meu)
vi o rascunho da sua heroína (e você viu o meu)
e vesti a máscara (e você topou o mesmo jogo!)


Mas isso pra mim não é esperteza
and I don't love you anymore.

(Porque uma boa love story precisa de boas falas
de um twist fodido nas ideias de um dos personagens
e do coração partido de outro.)

Um comentário:

AgaGoméz disse...

Agora eu era o herói e matava cachorro a grito. Mesmo.