terça-feira, junho 16

Duas vezes passarinho

substantivo abstrato, disseram
mas eu o segurei nas mãos
o suspiro azul esverdeado
e o minúsculo coraçãozinho
gelado e delicado
como as brisas-mil que viajaram pelas asas
as mais velozes do mundo!
que nas minhas mãos não batiam mais

duas vezes em grades de ferro e chão de concreto
tive nas mãos a beleza
ninei a saudade
e num canteiro verde
respiro raro nas veias da cidade
deitei o amor
ao sono último
e ao sonho eterno

agora escrevo o epitáfio mais triste do mundo
esse poema para o funeral de um anjinho
codinome beija-flor

Um comentário:

Thiago Gacciona disse...

Seu meio irmão passou por minha janela um dia desses!!!
Just one more, please...