sete
- acordar
de cinco em cinco
- lembrar de acordar
depois de dez
- desistir de tentar acordar
oito e meia
- perder a hora
em vinte
- vestir as máscaras pra encarar o dia
nove
- chegar
uma
- almoçar
duas
- voltar
quatro
- pensar em morrer
seis
- sair
Então eu começo a conseguir pensar. O sol ainda não se pôs e o dia não me parece perdido. Até o olhar dum vira-lata na rua me faz sorrir. Penso num livro, na folhinha no chão, na família, em sair daqui. Penso em ficar. Troco a música, aumento o volume e sou toda fones. Não exatamente alheia ao mundo, pois ele me tem mesmo quando não estou. Não escuto o motor do carro que se aproxima. É contramão, atravesso a rua sem olhar pra trás. O carro se aproxima e entra na contramão. Atravessa o cruzamento e meu corpo, mas não cruza minha alma.
Não me lembro da dor nem do gosto do sangue em minha boca. Não me lembro do sangue nem da boca.
Lembro, sim, dos números da minha manhã. E lembro da dor que senti, porque não queria ter ido embora.
Então mudo novamente a música e decido que preciso escrever textos mais felizes, porque de atropelada já me basta a rotina...
3 comentários:
que linspector, mas mais moderninha =)
sabe, talvez se você tomar um café bem forte, você acorde antes das 6... costuma funcionar por aqui.
Não achei infeliz, apesar de possuir momentos profundos.
E, apesar da grande identificação, o momento das 16hs ficou sensacional!
Beijos...
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