Era um desses dias meio sem amor.
Tarefas, tarefas, tarefas... Eh, já está na hora de almoçar? Uh, sim, não se esqueça de viver antes que o domingo acabe.
Mas o domingo foi acabando mesmo assim. Simples e patético.
Sentia sede e, justamente, se lembrava das deliciosas besteiras que tinha feito até merecer aquela ressaca. Percebeu em seu corpo uma pequena marquinha de sangue pisado e sorriu.
Uma cicatriz de guerra! Talvez valha a pena, afinal...
Uma cicatriz de guerra! Talvez valha a pena, afinal...
Preferia a dor ao nada.
E então lembrou-se de uma ressaca anterior. Da primeira e única vez que surpreendeu a si mesma, pega genuinamente com pensamentos homossexuais. Não era lésbica ou bissexual. Não estava nem aí.
Mas gostava de se lembrar: precisamente naquela noite, teve um lapso. Olhou para a garota ao lado e achou, com toda a verdade e loucura que o álcool lhe permitia, que poderia mesmo beijá-la. Com vontade. Carinho, tesão. Talvez se apaixonasse!
E riu.
Um riso divertido, como se recontasse aos netinhos uma de suas lendas favoritas.
Bom, talvez não contasse essa história aos netos. Talvez nem os tivesse.
Mas preferia o sonho ao nada.
2 comentários:
Por que estamos sempre cheios de dúvidas ou, pior que isso, às vezes não temos dúvida alguma?
Mas também acabo me ocupando um pouco quando paro para sonhar...
A vida é feita de risos divertidos como esses. Já os sonhos, bem, o difícil é segurar. Devem ser feitos de algum tipo de claras em neve étereas. Como um sorvete muito bom, que derrete rápido.
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