segunda-feira, novembro 23

Pequena lorota antes de dormir

Era um desses dias meio sem amor.
Tarefas, tarefas, tarefas... Eh, já está na hora de almoçar? Uh, sim, não se esqueça de viver antes que o domingo acabe.
Mas o domingo foi acabando mesmo assim. Simples e patético.
Sentia sede e, justamente, se lembrava das deliciosas besteiras que tinha feito até merecer aquela ressaca. Percebeu em seu corpo uma pequena marquinha de sangue pisado e sorriu.  
Uma cicatriz de guerra! Talvez valha a pena, afinal...
Preferia a dor ao nada.
E então lembrou-se de uma ressaca anterior. Da primeira e única vez que surpreendeu a si mesma, pega genuinamente com pensamentos homossexuais. Não era lésbica ou bissexual. Não estava nem aí. 
Mas gostava de se lembrar: precisamente naquela noite, teve um lapso. Olhou para a garota ao lado e achou, com toda a verdade e loucura que o álcool lhe permitia, que poderia mesmo beijá-la. Com vontade. Carinho, tesão. Talvez se apaixonasse!


E riu.
Um riso divertido, como se recontasse aos netinhos uma de suas lendas favoritas.
Bom, talvez não contasse essa história aos netos. Talvez nem os tivesse.
Mas preferia o sonho ao nada.

2 comentários:

Thiago Gacciona disse...

Por que estamos sempre cheios de dúvidas ou, pior que isso, às vezes não temos dúvida alguma?
Mas também acabo me ocupando um pouco quando paro para sonhar...

Ogami disse...

A vida é feita de risos divertidos como esses. Já os sonhos, bem, o difícil é segurar. Devem ser feitos de algum tipo de claras em neve étereas. Como um sorvete muito bom, que derrete rápido.