quinta-feira, dezembro 3

quando troveja

hoje vai chover de novo
as cortinas sacolejam desengonçadamente
e nuvens a perder de vista tornam cinza meu horizonte
os ventos marcam os céus em espiral

e eu sou o caos no céu

o bater das asas de corvo que sobrevoa a lápide da minha vida passada
e eu sou o uivo de um lobo, uma onda a estourar
uma tempestade em noite de guerra
eu sou você quando é quem não quer ser

eu sou a coragem enlouquecida e o medo de altura
e eu vou te irritar - você vai querer me fazer parar
meus exageros inconsequentes são um soco no seu estômago
eu sei, mesmo sem saber

eu não quereria nada do que não posso querer
nenhuma gota de sangue a menos
nem uma noite em claro sequer

meus sorrisos são constantes
e minhas tristezas em avalanches
mas eu não quereria nada do que não posso ter

só me esqueça
se não quiser deixar o meu eu inteiro estar ao seu lado
do contrário, você sabe
em todo o espírito confuso há sempre um pouco de paz

e da minha, guardo um beijo pra você
see you around.

2 comentários:

Ogami disse...

Esse texto está lindo, sério. E, é como eu digo, chuva é sempre um bom sinal.
Take care guria, guardo um livro para você.

kbl0 disse...

saca, qnd vc lê e num tem nada de útil pra agregar? pois é, vou deixar um sorrsinho pra registrar.

=)