a chuva contradiz
contra, mesmo pura e dizendo, ainda que murmure
o tempo passa devagar
o tempo temporando como deveria temporar
eu me sento, eu me deito, eu me calo
sou como seria
não penso mais
não sinto menos
sou um pincel
o mundo é uma tela
e minha tinta são filetes cósmicos de luar prateado
a lua aluando como deveria aluar
fecho os olhos
e escuto com as veias meu coração aquietar
bate como se dançasse
e dança como se beijasse
abro os olhos
e sinto as gotas deslizando pela janela de vidro
água bruta sobre líquido delicado
a pingar como se esquecesse
desenho com o luar cósmico em filete prateado
um sorriso mais lábios do que dentes
a beijar como se dançasse
e a dançar como se chovesse...
Um comentário:
extremamente belo.
e tenho dito.
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