Eu nunca entendi bem que efeito de fim de ano é esse, feito leite fresco que ficou tempo demais no fogo e aí borbulhou, criou nata e transbordou.
Não adianta chorar, vão dizer, o jeito é lavar o fogão e esperar a quentura do leite que sobrou passar.
Igual cabeça, tem que esfriar.
E não vai adiantar bancar o avestruz e sacar o crânio num buraco na terra, não é mesmo?
Ainda vai sobrar no corpo inteiro a lembrança do leite por beber.
(Aquele, que não transbordou e não é igual.)
Eu quis falar tantas e tantas vezes que nunca mais ia respirar se você não me notasse.
E você falaria que era um amor inventado, não é mesmo?
Mas eu era um peixe fora d'água - não era pra respirar.
E eu vou andar por aí, molhando meu allstar em poças de chuva e minhas memórias em esquinas paulistas, como flores que há muito esperavam um cadinho de chuva.
Ah, me deixa escrever o que quiser.
Vai doer menos assim - como merthiolate que, embora imite mercúrio, arde do mesmo jeito.
Se existe tanto medo de ter medo e tantos erros cuja única razão de existir era não errar!
Eu entendi, tudo bem.
Venham os fogos, o álcool e as ondas salgadas molhando a barra do meu vestido novo.
Eu vou imaginar a sua cara de não-dizer se me visse tão bonita, e pensar em nunca mais respirar se você não me elogiasse.
Mas provavelmente alguma coisa vai me distrair
- era só a realidade, me puxando de novo do sonho que criei pra você -
e eu vou notar que sou um peixe sufocado, com os pés à beira-mar...
3 comentários:
caramba!
sentimentos de fim de ano.
só pode ser.
ah!
voltei com o blog.
bjo!
ah, eu odeio o fim de ano.
mas tô bem feliz que você voltou com o blog! :)
quando estiver menos zumbi eu leio com carinho - sempre!
bêzo.
Sensacional!!!
Ler pela segunda vez escutando "Lord I Guess I'll Never Know" - The Verve, fez muito mais sentido.
Beijos!!!
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