Já no caminho eu tinha um mau pressentimento. Estava a alguns quarteirões de casa, apenas. Uns dois. Tinha saído pelo outro lado da rua - dava para a parte baixa da cidade, a fronteira, e raramente alguém ia para lá.
Tateei os muitos compartimentos de minha bolsa. Achei. Mãos trêmulas. Acendi o cigarro. Traguei. Nicotina: o tremor agora parecia mais uma crise de abstinência que a real tensão de estar fumando escondida. Então, sobre minha cabeça, alguém abre uma velha janela de madeira. O susto me causa um pulo discreto, mas mui afetado. Porra!, eu estava paranóica. Olhava constantemente para trás, sempre que ouvia o barulho dum motor já tinha a certeza de que alguém me estava seguindo. Não. Subo mais uns quarteirões e saio da zona de risco. Penso que poderia então relaxar, mas as ladeiras do bairro - junto com o cigarro - me tiraram o fôlego. E o cigarro, o último da safra especial de cerejas mentoladas, acabara.
O mau pressentimento devia ser por isso, então.
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