quinta-feira, fevereiro 5

Insônia

agora minhas mãos são todas casquinha de cola branca
resquícios da brincadeira de infância
e das memórias frágeis que eu quis colar em meu caderno

eu quis ser o caderno por inteira
quis colar meu coração nas linhas azuis das páginas viradas
eu queria nos braços as memórias que se pintaram n'alma

sabe, quando fecho os olhos ainda ouço o barulho do trem
e minha boca formiga de levinho se lembra do seu beijo
até meu all-star encardido sente falta daquela chuva besta que molhava nossos pés

mas meu sonho chora quando se percebe sonho
e então de novo se acalenta
qual sonho besta lamenta sentir saudade!
se por isso mesmo sabe que o breve escrito nessa vida
foi já tão doce realidade?

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