terça-feira, setembro 9

Ao vento do leste

Sou incapaz de dizer algumas coisas. Estratagemas e entrelinhas estratosféricas são mais difíceis de se construir, mas doem menos ao tosco orgulho que covardemente insisto em proteger.
As minhas verdades secretas são lunáticas, mais autistas que altruístas. Elas existem suspensas pelo frágil fio que é a possibilidade de eu não ser tão sozinha assim...
Não é que me incomode a tristeza, essa parte minha, mas ela fica tão maior quando vejo todo dia vazia a minha caixa de correio! E vejo o pequeno jardim que fica atrás dela, descuidado e cansado de ser bonito, mas ainda bem florido. E as únicas flores que ainda crescem lá são marias-sem-vergonha, aquelas coisinhas miúdas e coloridas que crescem nos canteiros das estradas, nas brechas do asfalto, nos jardins sem dono.
Eu vejo no meu jardim-atrás-da-caixa-de-correio a metáfora dos corações amantes e não amados, solitários e sobreviventes, sem corte nem perfume, frágeis mas de sorriso fácil, são safados, sem-vergonha.




E eu vou continuar incapaz de escrever os próximos parágrafos e o seu nome neles, meu amigo, mas também o silêncio é parte da canção...

2 comentários:

Anônimo disse...

man, o que acontece que cada dia isso aqui tá mais profundo e mais tenso?

Anônimo disse...

(...)sem-vergonha. E ainda que a caixa dependa da carta - tanto quanto marias da terra -, lá estará, preparada; mesmo que 'esporadicamente' esquecida... importante quando usada e esquecida logo, novamente - e nos lembrando que bem faz quando usada! Que diriam, então, marias, que sofrem asfalto em seus céus e ainda lembradas "sem graça" quando, simplesmente, vivem!... Assim... sem-vergonha?

- Cresce maria, sem-vergonha!


Especial:
de Eloi e Lucy!
Lembranças.


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