segunda-feira, novembro 29
Ainda conseguia se lembrar da sensação. Já faz algum tempo que sua pele não experimentava aquilo: os acordes, as luzes, o arrepio que o ar condicionado provocava ao soprar as gotas de suor. As gotas de cerveja que invariavelmente eram derramadas na roupa e a roupa tão bem escolhida, proibida em dias úteis, durante o horário comercial. Não que aquilo não fosse comércio. Era tudo camuflado como anarquia ou libertinagem, mas era uma rebeldia comercial. Eram tempos em que se saía de casa com vinte reais e ainda se voltava com troco. Eram tempos que não podem ser medidos, embora tudo tenha acontecido há menos de dois anos.
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