domingo, agosto 2

My bizarre love triangles

Ai, caramba. O que eu estou fazendo aqui?

Refazia o caminho até aquele pufe sem cor onde estava desconfortavelmente sentada.

Era uma vez uma Colombina apaixonada por um italiano. Ele gostava dela também, mas preferia a Carolina que, por sua vez, preferia o Branco. Mas a Carolina caprichosa ficou com o Italiano mesmo assim. E partiu o coração dele. A Colombina - que nesta altura do campeonato já estava mais pra Pierrot - resolveu fingir que se apaixonava por Preto. Ele também preferia outra menina, mas ficou com a Colombina mesmo assim.
E o Italiano-do-coração-partido começou a namorar a Menina-dos-Olhos-Amarelos. Então chegamos num ponto da história em que a Colombina namorava um Arlequim que a tratava como um Pierrot, sim?


E era uma dessas terças-feiras, um dia meio estúpido em que os amigos que não quiseram morrer saíram pra tomar sorvete. Cheguei até a portaria do prédio do Preto. Crianças na piscina e apartamento vazio. Que tal subir e fazer sexo ouvindo Nirvana? Não? Ok.
Foi assim, um telefonema e vários quarteirões depois, que eu cheguei ao apartamento da Menina-dos-Olhos-Amarelos e me sentei desconfortavelmente no pufe sem cor.
O Preto e eu, ela e o Italiano. As conversas desimportantes, os ecos de risadas e o impiedoso calor.
Ele e ela saíram pra tomar água.
O Italiano olhou pra mim:
- Você já reparou que tá tudo trocado?
- Quê?
- Você é a menina que eu vejo quando me olho no espelho.
"Seu filho da puta, infeliz, idiota, mentecapto! Agora você percebe isso?! Agora que me diz?! Cacete..."
- E se a gente se beijasse enquanto eles pegam a água?
"Tira essa camiseta agora."
- E-eu...

Eles voltaram.
E eu guardei essa história de e se? pra escrever agora, tantos anos depois, quando o pufe desconfortável já tinha perdido a cor.

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