... compreendi, pouco antes do meio-dia, que escrever seria a única possibilidade de matar o imenso tédio que afetava meu cérebro. Algo como provar para mim mesma que ainda sou capaz de destilar meus pensamentos sobre o teclado do computador, resgatar palavras que minha dicção ruim me impede de falar no dia a dia (e resgatar ideias impedidas de ganhar o mundo pela panaquice do dia a dia).
tec tec tec tec o som quase orgástico do teclado do computador, cada vez mais rápido.
Quanto mais rápido, maior a verborreia.
Talvez fosse apenas isso que eu precisava: falar falar falar mimimi nhé nhé nhé, let it out. Libertar minha mente de pensamentos tão pequenos, de tanto trânsito, incertezas e conversas de bar.
Esse é o retrato dos meus vinte e um anos: dormir cinco horas por noite, encarar quase quatro horas de trânsito por dia. Celebridades vestindo tecos de carne, gente sem propósito mamando na política brasileira, futebol, internet, colesterol alto e salários baixos.
O que me sobra além das coisas casuais?
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